Louco. Assassino. Doentio. Psicopata. Mentiroso. É isso que eles acham que eu sou. Poucos sabem o que realmente aconteceu naquela noite. Pena que estão… Mortos. Eu fui o único sobrevivente e acabei sendo culpado por tudo. Culpado pela morte dos meus amigos, da minha esposa e dos meus filhos. E mesmo sabendo que eu não fiz tudo isso me sinto culpado. Sujo. Me sinto um ser repugnante. Quem dera eu estivesse em uma cadeia. Quem dera… Estou em uma especie de manicômio judiciário, julgaram ser mais seguro me colocar aqui. Pois segundo eles eu sou louco. Eles não acreditaram em mim quando disse que fomos atacados por uma coisa que julgava não existir, pensava que só existia em livros e filmes mas estava enganado… Eles estão no meio de nós, se passam por humanos, sempre passam despercebidos e são bastante cuidadosos quanto a seus assassinatos. Sim eu estou falando de vampiros. Ria. Não vou te obrigar a acreditar em mim, mas é a pura verdade. Quem dera fossem como nos filmes… Mas não são. São criaturas astutas, ágeis e maquiavélicas. Não. Eles não queimam e nem brilham a luz do sol. Como eu disse são como nós humanos a unica diferença é que… Eles se alimentam de sangue. Estou aqui a três anos, desisti de tentar convencer alguém de minha inocência, vivo em um mundo só meu, não falo com ninguém, não interajo com ninguém. Faço de tudo para não ficarlouco assim como os outros residentes aqui, faço de tudo para preservar a minha sanidade. Mas acho que tenho falhado, sinto minha sanidade se esvair ao pouco, tento me distrair mas é impossível. Escuto gritos durante a noite, vejo pessoas indo para a solitária e voltando mortas e muito raramente voltavam vivos. Tenho certeza absoluta que aqui é apenas um pedaço do inferno na terra. - Venha está na hora de sua consulta com o novo médico. - O carcereiro chefe do prédio C veio me avisar destrancando a minha cela
Me levantei calmamente da minha cama que estava precariamente acabada e andei até o carcereiro, as algemas tiniam com o balançar das mãos do homem - Isso é mesmo preciso? - Perguntei estendendo minhas mãos para ele algemar
- Você sabe que é Nicholas, eles te julgam um assassino perigoso. - O carcereiro disse me algemando e me guiando para fora da cela
- Mas você sabe que não sou. - Sussurrei andando lentamente nos corredores do helvete. É, helvete, foi assim que o apelidei e isso significa inferno.
Chegamos até o consultório do meu novo médico e Tom, o carcereiro deu três leves batidas na porta. Olhei a placa cor de prata que estava grudada na porta com os dizeres: ”Doutor Andrey Klais” Não sei porque mas esse nome me deu arrepios a porta se escancarou e um rosto conhecido apareceu no batente da porta. Era ele. O monstro. O culpado por eu estar ali. Meu coração bateu forte no meu peito e eu olhei para Tom com o olhar mais assustado que pude pedindo para ele me tirar dali, mas ele não percebeu.
Eu tentei sair correndo mas um dos guardas que infelizmente passava pelo local me segurou, eu fiz o maior esforço possível para me soltar. Eu gritava apontando para o doutor que fingia cara de espanto.
- É ELE, É ELE É ELE. ELE É UM VAMPIRO. ELE MATOU MINHA FAMÍLIA, ELE MATOU MEUS AMIGOS.
O guarda me jogou no chão me imobilizando e o monstro se aproximou de mim a passo lentos com uma seringa em mãos. Ele se abaixou ao meu lado e injetou o liquido que havia na seringa em mim e antes de apagar eu o ouvi dizer:
- Tenha uma boa estadia na solitária. - Seguido de uma risada maléfica
- Eu te odeio. - Murmurei antes de apagar
Minha historia já comeca com a morte. Sim, a MORTE. Antes de nascer ouve uma complicação e nasci prematura de 7 meses, minha e eu quase morremos no parto. Demorei a chorar e todos achavam que eu tinha morrido. Até que finalmente eu chorei, todos ficaram felizes, mas tive que ficar internada uns dias, pneumonia, sabe como é. Depois sai do hospital. Eu era tão magra, tão frágil, meu irmão disse que eu parecia um calango, rs. Bom, depois de uns anos isso aconteceu: eu não lembro que idade eu tinha, talvez uns 4 ou 5 anos: estava eu na área de lazer do meu prédio quando meu pai foi jogar futebol e pediu para minha tia cuidar de mim. Bom, essa minha tia é amiga da mulher que me odeia, a mãe do meu irmão mais velho (bom, minha mãe estava com meu pai desde 1990 e eu nasci em 1999, esse meu irmão mais velho nasceu em 1996. tire suas conclusões) e obviamente, essa minha tia não gosta muito de mim. Enfim, eu fui para a piscina funda tentar tocar na água, estava quase caindo lá dentro (eu iria me afogar), pensa que a tia me ajudou? NÃO. Ela virou a cara como se não estivesse vendo e acendeu um cigarro. Se meu pai não tivesse visto, eu não estaria aqui para contar a historia. Com 6 anos fiquei internada, os médicos não tinham certeza de que doença eu estava, mas me deram soro, remédios e bla bla bla, fiquei assim por meses quando o médico disse para minha mãe que já era para eu estar curada, mas eu estava MUITO ruim. No dia do meu aniversário de 7 anos finalmente sai do hospital, um pouco frágil, mas feliz. Anos se passaram, as dificuldades de sempre: asma, anemia, desnutrição e isso só pra começar, mas vamos deixar minhas doenças pra depois. Na sexta série eu tive que mudar de escola. Foi o pior ano da minha vida. Eu não sabia como o bullyng afetava as pessoas psicologicamente até esse ano. As pessoas me batiam, chingavam, me deixavam de lado… Foi horrivel, mas na sétima série eu pude voltar para minha antiga escola. O bullyng diminuiu, mas acho que vou ter que aguentar as zoações para o resto da minha vida… Enfim, agora estou na oitava serie, anêmica, com compulsão alimentar, asma e comportamentos que podem desencadear bulimia (se é que eu já não estou com a doença :/). Com apenas uma amiga verdadeira na escola (queria tanto poder abraçar minhas outras amigas… mas elas estão tão longe…), e eu até pensei em me cortar acredita?! Eu realmente achei que se morresse, os problemas acabariam.. não? Mas eu estou superando, e esta historia ainda não acabou.